Resolvi escrever esse texto, porque há tempos tenho pensado sobre várias questões que envolvem o processo de trabalho dos fotógrafos e sei que a maioria de nossos clientes o desconhecem. Há muito trabalho envolvido por trás das imagens que são entregues em DVDs e pendrives. Parece fácil… Fez a foto, descarregou e pronto, não é? Não… não é bem assim, depois que a foto é feita, há um caminho longo a ser percorrido por nós, os autores das imagens…

Você sabe como funciona esse processo? Não? Ficou curioso (a)? Então senta que lá vem história!!! Cada fotógrafo tem um jeito e um processo para trabalhar. Descrevi aqui os passos que eu sigo para fazer o meu trabalho, muitos colegas seguem o mesmo processo, mas outros fazem o processo diferente, não existe certo ou errado, apenas maneiras distintas de se trabalhar.

Essa história começa quando vamos contar a sua história através do nosso olhar e nossas lentes. Para ser didática, vou dividir todo nosso processo em 10 passos:

1º Passo – ARRUMANDO TODO O NOSSO MATERIAL DE TRABALHO

Antes de qualquer trabalho fotográfico precisamos arrumar todos nossos equipamentos: carregar pilhas, baterias (e todas as extras também), limpar as objetivas, formatar os cartões. Depois que tudo isso é feito, conferimos se as câmeras e flashs estão funcionando normalmente, arrumamos nossa mochila conforme nossa necessidade, levando tudo que iremos precisar. Eu tenho backup de tudo, desde câmeras, flashs, baterias, pilhas e cartões. É, vocês podem me chamar de sistemática, mas o seguro morreu de velho e equipamentos eletrônicos uma hora ou outra nos deixam na mão. Você não quer perder momentos importantes de seu cliente, como a troca das alianças no casamento, porque sua câmera parou e você não tinha outra na hora, né? (Mas isso é assunto para outro artigo…) Clique aqui para conhecer a minha mochila: https://www.instagram.com/p/4wC0vwOsKk/?taken-by=cacadominiquinifoto

2º Passo – CAPTAÇÃO DAS IMAGENS

Esse processo é feito quando chegamos ao evento ou ensaio. Gosto de retratar as cenas descrevendo as histórias, contando aquilo que estou vendo, faço as fotos sem me importar com a quantidade, se há assunto, vou fotografando. Nós, fotógrafos profissionais fazemos as fotos em um formato diferente. Nossos arquivos são “brutos” e são chamados de RAW (que em inglês significa CRU). E são fotos “cruas” mesmo que precisam passar por um processo de tratamento. Ajustes são feitos nos arquivos que saem das câmeras, deixando-as muito mais bonitas, com cores mais vivas, entre outras coisas. Já vi inúmeros “fotógrafos” profissionais que entregam as fotos sem tratamento, do jeito que saem das câmeras, mas para o meu controle de qualidade isso não é aceitável.

3º Passo – DESCARREGANDO (IMPORTANDO) AS IMAGENS

Precisamos de um programa especial chamado Adobe Lightroom que lê os arquivos em RAW, portanto não é simplesmente copiar as fotos para o computador. Para poder trabalhar nelas e até conseguir vê-las em alguns sistemas operacionais precisamos importar as fotos para o programa, isso dá trabalho (porque renomeamos as fotos) e leva muito tempo. Quanto maior for o número de fotos, mais tempo esse processo leva. Há também o tempo que levamos para a organização e catalogação das fotos nas pastas de nosso computador, se o fotógrafo não for organizado nesse sentido, ele está em apuros, porque perder os arquivos é complicado e está fora de cogitação.

4º Passo – BACKUPS E MAIS BACKUPS

Depois de importarmos a fotos para o Lightroom, precisamos fazer os backups antes de formatarmos os cartões. Como eu disse, perder as fotos dos nossos clientes é algo muito sério, não consigo nem pensar nessa possibilidade. Cada fotógrafo tem uma maneira de fazer esse processo. Alguns fotógrafos usam nuvens online, outros fazem em HDs externos. Eu vou contar a minha maneira de fazer backup, pois cada um tem um sistema de trabalhar. Antes de entregar o trabalho pronto, tenho sempre 3 cópias dos arquivos RAW, uma no HD interno do meu desktop e em outros 2 HDs externos. Como se diz o ditado, quem tem 1 não tem nenhum e Deus me livre de perder meus trabalhos.

5º Passo – EXPORTAÇÃO DAS FOTOS PARA A ESCOLHA

Após o processo de importação das imagens, fazemos a exportação das mesmas em outra pasta, deixamos as dimensões menores, colocamos marca dágua (pq são fotos inacabadas com pequenos ajustes e na verdade são provas digitais somente para a escolha, pois ainda não sofreram o tratamento final) e selecionamos o formato JPEG que é compatível para leitura em todos os dispositivos.

6º Passo – EDIÇÃO DAS FOTOS

Muitas pessoas acham e que edição e tratamento de fotos é a mesma coisa, e na verdade são processos distintos. Editar significa separar, escolher. Nesse estágio do trabalho, verifico e observo foto por foto. Analiso vários fatores como foto sem foco, tremida, com olhos fechados, repetidas, etc. As fotos que não passam pelo meu controle de qualidade (eu sou bem rigorosa), eu deleto e nem mostro para meu cliente. Num evento de 3 ou 4 horas, dependendo da quantidade de assuntos e situações que ocorrem, chego a fazer 1000 fotos. Agora imaginem ver essa quantidade de fotos de cada evento. Há finais de semanas que faço 4 eventos, entre sexta, sábado e domingo. Agora multipliquem isso por 4 semanas e vejam quantas fotos analiso por mês. Mais uma vez digo, esse processo leva tempo e é bem cansativo.

7º Passo – SUBIR AS FOTOS PARA O SITE DE ESCOLHA

Utilizo um sistema online de escolha de fotos. O sistema é bem simples, eficiente e os clientes gostam bastante. Depois da edição há o momento de upload. Conforme a velocidade da conexão, poderemos ter mais ou menos tempo da subida das fotos.

8º Passo – TRATAMENTO DAS FOTOS ESCOLHIDAS

Após a escolha das fotos pelo cliente no site, recebo um e-mail com uma lista das fotos escolhidas. Dependendo do pacote escolhido, essa lista tem muito mais que 150 fotos. Novamente abro o Lightroom e começo de fato tratar as imagens, uma a uma. Faço vários ajustes necessários, pois cada situação tem uma luz diferente, então há necessidade de um tratamento diferente.  E mais uma vez, o processo é longo e demorado, porque não vou entregar as fotos de qualquer jeito. Meu cliente merece o melhor, o tratamento é parte da minha assinatura. Uma foto sem tratamento é um rascunho, uma foto inacabada. Abaixo está uma imagem do antes de depois, só para vocês terem uma ideia da GRANDE diferença!

Ante e depois

9º Passo – EXPORTAÇÃO DAS FOTOS TRATADAS

Finalmente todo o processo de tratamento já foi finalizado,então mais uma vez as fotos prontas são exportadas em JPEG, em dois formatos: grandes sem assinatura (para impressão) e pequenas com a minha assinatura (para redes sociais e internet).

10º Passo – ENTREGA DO MATERIAL PRONTO

E tudo está quase pronto! Agora gravo as fotos prontas no pendrive ou DVD e organizo tudo nas embalagens personalizadas de minha empresa com muito carinho. Finalmente, tenho o meu produto final para meu cliente.

Se você chegou até aqui no texto, sentiu que dá trabalho. Agora te pergunto, é só fotografar, descarregar e pronto? Dá para fazer tudo rapidinho? Ou um trabalho bem feito, com qualidade leva um tempo para ser concluído? Imaginem que o fotógrafo não faz somente 1 evento por mês, mas faz muitos. Então dá para sentir o trabalhão que dá e o tempo que leva fazer tudo isso, as coisas não tão fáceis como parecem. Procuro fazer tudo com muito amor e carinho, da melhor maneira possível, afinal de contas, fotografia é memória. Quero que meu trabalho seja lembrado pela excelência.

Deixo uma pergunta: Vocês preferem que o trabalho seja entregue rapidinho (amanhã se possível) de qualquer jeito ou preferem esperar o tempo de cada profissional e ter nas mãos memórias maravilhosas de sua vida? Vale a pena esperar?

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